segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Friends e os Anos 90: Uma Análise Sobre a Cultura do Ódio ao Homem



  Os anos 90 foram uma época vibrante no Ocidente. A queda do Muro de Berlim, seguida pela derrocada das ditaduras comunistas do leste europeu, criou, no ideário popular, a imagem de um futuro esplendoroso, onde a superpotência vencedora da Guerra Fria iria reinar absoluta e com ela seus valores e tradições. Muito embora houvesse ainda guerra nos Bálcãs e AIDS na África, a história parecia ter chegado ao fim. A ruína do totalitarismo vermelho na Europa fez parecer que era realmente verdadeira a antiga crença ocidental de que a humanidade marcha inexoravelmente rumo ao progresso.
A estabilidade deste novo desenho geopolítico, juntamente com uma prosperidade econômica sem paralelo na história, criou as condições para a aceleração de um projeto antigo, iniciado ainda no fim da Primeira Guerra. Após séculos de beligerância praticamente ininterrupta na Europa Ocidental (no período de 1500 a 1799, a Espanha esteve em guerra 81% do tempo, a Inglaterra 53% e a França 52%¹) cujo auge foi o horror de 1939-45, chegou-se ao consenso de que a total integração dos estados europeus seria a melhor maneira de evitar a volta desse passado sangrento. Decidiu-se, então, que esse esforço deveria, necessariamente, passar pela transferência das soberanias nacionais para órgãos supranacionais. O que começou como o projeto de integração econômica da Comunidade Econômica Européia ainda na década de 1950, desencadeou um processo contínuo no qual os estados europeus foram, gradativamente, abrindo mão de suas autoridades nacionais e de sua autonomia política em favor de uma elite obscura e não eleita em Bruxelas. Assim se deu o processo de criação do mastodonte estatal que se conhece hoje por União Européia.
Sempre em conformidade com as Nações Unidas, cujo primeiro esboço foi a extinta Liga das Nações do período entre-guerras, a União das Repúblicas Social-Democratas Européias enxerga dois obstáculos imediatos a seu projeto de poder total no Ocidente. O primeiro, e mais antigo, são os valores judaico-cristãos, que permeiam e alicerçam todas as estruturas e instituições que deram origem ao que hoje se entende por Civilização Ocidental. Tendo na Igreja Católica sua face mais visível e imponente, esse complexo engloba ainda o restante da Cristandade, com suas diversas dissidências internas, e a resiliência milenar do Judaísmo, materializada no Estado de Israel. Esse esforço de dominação global conta com um análogo muçulmano no Oriente Médio, outro na Rússia euro-asiática e outro chinês no restante da Ásia.
O segundo foco de resistência às pretensões políticas das corporações transnacionais no Ocidente é a própria existência dos EUA como nação soberana. Mais que um mero produto de levante armado como tantos na história, a América é uma idéia que deu certo. Diferentemente de sua contemporânea francesa (bem mais famosa e muito mais celebrada), a Revolução Americana mostrou desde cedo uma firme preocupação em preservar todo legado positivo herdado da metrópole, apesar do natural ressentimento dos colonos em relação aos excessos da administração britânica. Foi esse instinto conservador americano o que determinou a brutal diferença entre os rumos que as duas revoluções tomaram.
Guardadas as devidas proporções, o domínio exercido pela Grã-Bretanha nas Treze Colônias é o equivalente da influência da Igreja Católica no Anciént Regime francês. Enquanto as primeiras citam Deus quatro vezes em sua Declaração de Independência de 1776, duas décadas depois os europeus instituem a primeira religião política da história contemporânea e estabelecem no genocídio de cristãos do Terror o marco inicial da era dos assassinatos em escala industrial. Se o movimento de Washington, Adams e Jefferson dá origem ao mais bem-sucedido Estado de Direito já estabelecido na face da Terra, as farândolas lideradas por La Fayette, Sieyès e Robespierre desembocam numa loucura sanguinária, seguida de um regime caótico de golpes de estado, que só poderia terminar numa ditadura militar.
A mera comparação dos resultados de dois eventos que têm em sua origem a luta contra a tirania dá a medida de como os meios determinam os fins: enquanto os fouding fathers americanos reconheceram nos valores judaico-cristãos herdados de seus colonizadores um fator indispensável na edificação de sua república, os franceses se empenharam em fazer tábula rasa da natureza humana, destruindo tudo que encontraram para criar algo totalmente novo no lugar. O próprio desenrolar dos fatos mostrou como nada de bom pode surgir do completo aniquilamento do que passou pelo teste do tempo.
Exatamente como os revolucionários de 1789, o objetivo principal do establishment midiático-cultural ocidental é a demolição sistemática de toda sensibilidade judaico-cristã do imaginário popular. O projeto de poder global nascido do casamento entre Maastricht e Breton-Woods exige a criação de uma agenda cultural diametralmente oposta aos valores tradicionais ocidentais.
Na esteira destas transformações, juntamente com o advento da internet e a consolidação da televisão como meio de comunicação de massa, seguida da consequente distribuição de opinião, comportamentos e modos de pensar por atacado, surgiram alguns dos fenômenos de mídia que marcaram época. Como qualquer cultura de massa, o segredo de séries como Friends é que elas representam de forma incisiva os principais anseios de uma geração. A chave da popularidade dos seis amigos de Nova York é o fato de suas vidas serem o retrato dos sonhos da juventude dos anos 90. Na verdade qualquer um pode se identificar em maior ou menor grau com qualquer um dos protagonistas.
Tão indiscutível quanto o sucesso da série são os valores que seus personagens transmitem de forma mais ou menos oculta. Muito da grande adesão do público (millenials em sua esmagadora maioria) ao sitcom se deve, sem dúvida ao seu forte e mal disfarçado viés sexista misândrico. Mais que nos enredos dos episódios, muito disso se reflete nas características próprias de cada personagem.
Juntamente com Rachel Green, Ross Geller é o personagem que melhor ilustra essa tese. Tímido e inseguro, o típico garoto de classe média parece ter sido criado pelos pais numa redoma e desde cedo, em virtude da criação que recebeu, criou a ilusão de que é especial. Essa mentalidade o atrapalha por demais em suas relações da vida adulta. Bem sucedido profissionalmente, Ross é o retrato do CDF da sala: o orgulho dos pais e queridinho dos professores, academicamente muito competente, mas, ao mesmo tempo, quase um completo retardado sócio-emocional. Em virtude disso ele mesmo é quem mais é motivo de chacota na série.
Ph.D em paleontologia, Geller sofre quase todo tipo de humilhação social e emocional a que um homem pode ser submetido. A primeira temporada é especialmente prolífica em mostrar essas situações. É nesse estágio que é apresentada a história do seu primeiro divórcio. Ao estilo Alan Harper (Two And a Half Men), Ross é dispensado por Carol, sua ex-esposa, e ainda tem que se contentar em vê-la se descobrir lésbica, grávida dele e com planos de criar a criança com a companheira, Susan. Esta nada mais é do que uma caricatura, que utiliza o jocoso apelido de “bobo do esperma” para se referir ao ex-marido da companheira.  O episódio da cerimônia de união de Carol e Susan representa nada mais do que o ideal de completa subjugação do homem enquanto macho pregado pelo feminismo radical dominante no mainstream midiático ocidental (algo tão claro que até os mais intransigentes militantes saltimbancos reconhecem). A título de informação, a ministra que celebra o evento é a meio-irmã lésbica de Newt Gingrich, famoso político conservador do Partido Republicano. A própria Marta Kauffman, co-criadora da série, já disse em entrevista que a escolha dela para o papel significou “a bit of ‘fuck you’ in it to the right wing”.
Há várias outras passagens que atestam isso de maneira cristalina. Vale lembrar a cena (quarto episódio da terceira temporada) em que Ben, o filho de Ross e Carol, “escolhe” uma Barbie como brinquedo, ocasião em que Ross e Joey são censurados por tentarem convencer o garoto a trocar a boneca por um G.I. Joe.
Outra situação curiosa é aquela na qual Ross (sempre ele) acidentalmente machuca uma garotinha que vendia biscoitos (décimo episódio da terceira temporada). Mais sutil que o fato de, mesmo inocente, ele ser continuamente tratado como um monstro por todas as pessoas com as quais tem contato no decorrer do episódio, o que geralmente passa despercebido é o aspecto visual do quarto da criança, decorado com uma temática de espaço sideral. Óbvio que o fato de ser do sexo feminino não define nem determina seus gostos e aptidões, muito menos a impede de ser o que bem entender (desde que tenha competência e mérito para tal). A questão é que é mais verossímil imaginar um quarto de uma menina de nove anos enfeitado com princesas, flores e bonecas do que com ônibus espaciais e estrelas. Como se isso já não bastasse para criar ao menos uma leve desconfiança a respeito do tipo de valores que a série promove, consta ainda o fato de ela ser órfã de mãe e de seu pai viver repetindo que ela deveria pensar mais nos afazeres domésticos do que em se tornar astronauta.
Alguém mais atento talvez possa enxergar nessa série de “coincidências” certa intenção dos roteiristas em forçar determinada agenda a uma audiência já suficientemente receptiva a mudanças de paradigmas sociais mais profundas. Primeiro, o episódio da boneca de Ben: Susan e Rachel alegremente fazem troça da justa e natural preocupação de Ross em detectar, mesmo que inconscientemente, no brinquedo feminino de seu filho homem uma face de um esforço consciente, sistemático, escancarado e, no horror completo, assegurado por lei de fazê-lo se sentir culpado por ter nascido homem e, no limite, afeminá-lo e enfraquecê-lo com propósitos meramente políticos. Na passagem sobre a garotinha escoteira é evidente o esforço em pintar o pai dela como um monstro machista que a desencoraja a seguir seus sonhos para ser uma dona de casa. Óbvio que isso pode sim existir, mas a regra empírica em sociedades ocidentais são os pais que amam, incentivam e querem o melhor para seus filhos, independente de serem homens ou mulheres.
Há duas razões essenciais para explicar tanta ênfase do seriado em situações estatisticamente inexistentes no Ocidente. A mais imediata é a funcionalidade do personagem de David Schwimmer de representar o homem comum ocidental. Um indivíduo civilizado, honesto, pacífico, inteligente, trabalhador e obediente às leis é alguém com quem a maioria esmagadora dos homens de qualquer sociedade alicerçada em valores judaico-cristãos pode perfeitamente se identificar em algum nível. A escolha consciente de Ross como bode expiatório se justifica exatamente porque ele representa com precisão cirúrgica o maior inimigo de qualquer ideologia revolucionária no Ocidente: o homem branco, ordeiro e heterossexual.
 O mais sutil e, portanto, ameaçador propósito dessa campanha de difamação “do bem” promovida pela sitcom símbolo dos anos 90 é a proposta que representa ao mesmo tempo a quintessência e a raison d’étre do que se entende por Modernidade: o salvo conduto que a humanidade se auto-atribuiu de fazer de sua própria natureza humana massa de modelar nas mãos de engenheiros sociais ansiosos por brincar de Deus. Desde a intenção manifesta de Rousseau de modificá-la em seu Contrato Social, de modo a estabelecer o império de sua “vontade geral” sobre a essência individualista do ser humano, e a tentativa de seu discípulo Robespierre de pôr em prática sua teoria; passando pelo anúncio nietzscheano da “morte” de Deus (que não “morreu” louco agarrado a um cavalo), até a preocupação de Mary Shelley e seu Frankenstein com os rumos que a loucura antropocêntrica do culto à razão estava tomando (que culminou no absurdo sanguinário do Novo Homem dos totalitarismos do século XX), a idéia de usar o ser humano como cobaia de experimento social coletivista não é nova. O esforço de moldar o comportamento infantil através de estímulos (exatamente à moda dos cães de Pavlov), ilustrado de maneira tão fofa na boneca de Ben e no quarto da escoteira vendedora de biscoitos é só a mais nova variante da tolice humana tipicamente moderna de achar que Deus pode ser tratado como um igual.
Ainda em se tratando de Ross, não é difícil perceber que, seguido por Chandler, ele é, dentre os três protagonistas homens, o mais ridicularizado. Coincidentemente é também o mais bem sucedido. Diferentemente da beleza, característica marcante de Joey, e do humor auto-depreciativo de Chandler, a inteligência de Ross é a mais efetiva forma de potência masculina. A satirização constante do personagem passa a mensagem de que ser inteligente e bem sucedido, quando isto representa um entrave à subjugação do homem pela mulher, não é motivo de admiração, mas de gozação.  O garanhão Joey, por sua vez, é quem menos sofre deboche, mesmo sendo incapaz de saber que os Países Baixos são um país de verdade. Pelo jeito, em Friends, quanto mais imponente for o homem, mais ele deve ser motivo de escárnio. Para os roteiristas lacradores não é interessante que ele se dê conta do poder que tem. Isso dá um indicativo do porquê de o ator fracassado ser, paradoxalmente, quem faz mais sucesso com mulheres no sitcom.
Se as primeiras temporadas são especialmente ricas nessas situações, à medida que a sitcom vai caindo no gosto popular e ganhando mais temporadas, essa hostilidade desabrida ao masculino diminui e vai dando lugar a uma atitude de zombaria mais branda. Não é difícil perceber também certo esforço na direção de inverter alguns clichês de relações homem - mulher em situações do senso comum. Prova disso é o episódio em que Ross é forçado por Rachel a contratar um homem para ser babá da filha (quando, devido à delicadeza naturalmente feminina, geralmente as babás são mulheres) e a relação de Rachel com um subordinado quando trabalhava na Ralph Lauren, uma clara inversão de uma situação clássica que é a relação entre o patrão e a empregada. É como se o radicalismo fosse um mecanismo utilizado pelos criadores da série para tentar emplacá-la e, alcançado esse objetivo, os roteiristas recorressem a uma forma de ataque mais branda.
Dentre as protagonistas, a mais emblemática sem dúvida é Rachel Green.  Estereótipo da garota fútil e vazia de classe média, Rachel é a garota rica e bonita que sempre teve tudo na vida e faz escolhas erradas por esporte. Uma de suas primeiras aparições na série já dá um indicativo de seu caráter. De maneira cômica, ela aparece vestida de noiva fugindo do próprio casamento, onde abandonou o noivo no altar. A partir de então ela passa a morar com Monica e começa a trabalhar como garçonete no Central Perk.
Os traços mais marcantes de Rachel são sua personalidade superficial e sua tendência a ter muitos relacionamentos, o que se confirma à medida que os episódios se sucedem. Muito da popularidade da personagem de Jennifer Aniston se deve a isso.  Tanto é que o corte de cabelo da personagem foi um dos mais copiados durante a década de 90. Da mesma forma que Ross é o saco de pancadas ideológico da série, Rachel é o modelo a ser emulado e a heroína da filosofia de vida promovida pela sitcom. Não por acaso, das protagonistas, ela é a única que não casa ao final da série (já que um dos pilares do pensamento feminista é a independência total da mulher em relação ao homem e algumas teóricas defendem inclusive o fim do matrimônio e da família, consideradas instituições patriarcais opressoras), e é a única que consegue “dobrar” o garanhão Joey, inclusive grávida (porque um homem acostumado a ter muitas mulheres iria abrir mão disso por uma só e ainda grávida de outro...).
Sua personalidade insensata é atraente justamente pelo fato de não haver uma contrapartida para suas ações na série. Faça o que fizer Rachel muito raramente sofre as consequências dos seus atos. À medida que a história se desenrola, entre outras coisas, se descobre casos de Rachel com homens comprometidos, como o pai de um garoto que ela cuidou num emprego temporário e inclusive com o próprio ex-noivo quando este estava prestes a se casar com uma amiga sua. Surpreendentemente (ou não) a promiscuidade é uma característica comum não só às protagonistas, mas a todas as personagens. Há um episódio em que Chandler conhece uma militar israelense que, além dele, se relaciona simultaneamente com mais dois homens, sendo um deles o próprio marido. Sem falar na emblemática mãe dele, escritora de romances soft porn e definida por ele próprio como “pesadelo freudiano”, que chega inclusive a se envolver com Ross. O mais curioso é que isso adquire uma coloração cômica no seriado, como se essa forma de tratamento extinguisse automaticamente todos os dilemas morais decorrentes desse tipo de comportamento.
A comparação com outras comédias com temática sexual lançadas nos anos 2000 como Two And a Half Men e The Big Bang Theory, permite perceber que nelas a promiscuidade de algumas personagens é apresentada de forma cômica, mas, diferentemente do que se vê em Friends, este tratamento não assume um caráter panfletário. Isto é, quem escreve o roteiro não se preocupa em incentivar esse tipo de comportamento, mas apenas em fazer o público rir dessa condição, utilizando- a apenas como mero artifício cômico, sem intenção de transformá-la numa plataforma de discurso ideológico ou numa ferramenta de auto-afirmação. Aí se desenha um claro paralelo entre o conteúdo da série e o momento no qual foi concebida. É como se o apelo sexista do sitcom fosse uma coisa feita sob medida para se encaixar com o zeitgeist gramscista dos anos 90. Isso explicaria seu sucesso retumbante e sua ascensão de um simples show como tantos outros a um fenômeno cultural. Ideologias à parte, no final tudo é questão de fazer dinheiro. Foi lançando mão disso que David Crane e Marta Kauffman se distinguiram da multidão. Sex and the City tem o mesmo teor, foi lançada num momento semelhante, tem o mesmo público-alvo e alcançou sucesso análogo, utilizando a mesma fórmula.           
De forma ainda mais explícita, outro exemplo da instrumentalização do desprezo ao sexo masculino com fins comerciais foi a popularidade alcançada por uma série de camisetas para meninas da marca David and Goliath, lançadas no fim da década de 90. Entre as mensagens estampadas nas roupas era possível encontrar coisas como: “Garotos são estúpidos, jogue pedras neles!”, “Garotos fedem” e “Eu reciclo homens”. Segundo o Wall Street Journal, o faturamento da David and Goliath em 2004 foi de US$ 90 milhões. Troque “garotos” por “garotas” e veja a mágica acontecer.
  É comum, em sociedades capitalistas em estágio avançado, a utilização de todo tipo de tática de propaganda, recorrendo-se frequentemente a uma série de artifícios para maximizar lucros que vão desde técnicas de engenharia social a programação neurolinguística. Partindo do ponto de que sem liberdade não há capitalismo e nem sociedade de consumo, aceitar que o problema não está em quem vende o produto, mas em quem o compra é a única forma de avaliar a situação. Quem comercializa apenas se aproveita dos problemas psicológicos de quem adquire.
   A questão aqui não é o limite da liberdade de criação e de comércio. Isso é outra discussão. É o duplo padrão de julgamento que se tornou socialmente aceitável no Ocidente o que salta aos olhos. Se o modo como os homens são retratados em Friends e as mensagens das camisetas da David and Goliath são naturalmente ignorados, ao mesmo tempo em que qualquer piada de loira, por mais estúpida que seja, é tratada como um atentado intolerável à honra feminina, no mínimo, alguma coisa está desequilibrada. O ódio ao masculino no Ocidente chegou a um ponto que, nas palavras de Warren Farrel, preconceitos contra outras etnias são chamados de racismo, preconceitos contra as mulheres são chamamos de sexismo e preconceitos contra os homens são chamados de humor.

1 – Ferguson, Niall, Civilização, p. 63.

POR QUE MINORIA DE UM?

"O fato de ser uma minoria, mesmo minoria de um, não significava que você fosse louco. Havia verdade e havia inverdade e, se você se agarrasse à verdade, mesmo que o mundo inteiro o contradissesse, não estaria louco. (...) Sanidade mental não é uma coisa estatística. (...)”.                                                                                           

George Orwell, 1984.






Algumas das passagens mais impactantes do livro 1984, de George Orwell tratam sobre a fluidez do conceito de realidade. Através de cenas como a reunião dos três minutos de ódio, Orwell pinta um quadro aterrador onde um governo totalitário superpoderoso manipula os fatos a seu bel-prazer, obrigado os cidadãos a viver num estado de ignorância auto induzida. Mesmo tendo uma mentalidade crítica ao governo de Oceânia, o protagonista Winston Smith não consegue deixar de se levar pelo sentimento da multidão entorpecida pelo espetáculo orquestrado pelo Partido.
Mais adiante, Smith é preso por conspirar contra o regime. Durante as sessões de tortura, O’Brien, seu algoz e confidente, busca invalidar seus argumentos alegando que ele é apenas uma minoria de um.
Toda maioria é estúpida.
A mediocridade anda em bando.



"Integridade é o reconhecimento do fato de que, (...) como um juiz que não dá importância à opinião pública, ele não pode sacrificar suas convicções em prol dos desejos dos outros, ainda que seja a totalidade da humanidade a implorar ou a ameaçar. (...)”.

Ayn Rand, A Revolta de Atlas, vol. III.