domingo, 14 de fevereiro de 2016

O Fim da Dancing Queen


A olhos leigos, nada nos últimos cem anos distinguiu melhor a Suécia do bloco de gelo, prosperidade e assistencialismo conhecido como Escandinávia do que a música pop. Dentre os países nórdicos, nenhum deu maior contribuição à era de ouro da música popular ocidental. Mesmo que os noruegueses do A-Ha e os dinamarqueses do Mercyful Fate tenham conseguido alguma projeção, nada se comparou ao fenômeno das duas maiores e mais conhecidas bandas de Estocolmo. O Europe ficou mundialmente conhecido em 1986 com The Final Countdown, cuja faixa título os fez atingir um patamar nunca mais alcançado. O ABBA, por sua vez, é simplesmente o grupo mais bem sucedido do catálogo da gigante Universal Music Group. 
Mais do que uma dentre tantas bandas que depois de um breve auge raramente é lembrada, o ABBA se tornou um ícone da Suécia. Suas letras leves e melodias cativantes o tornaram o símbolo de uma época. Tratar da história da cultura ocidental nos anos 70 sem mencionar a influência dos suecos é como passar pela história britânica e ignorar Oliver Cromwell ou Henrique VIII. 
 Dentre os sucessos da banda, Dancing Queen é um dos mais emblemáticos. À primeira vista, a história de uma garota de 17 anos que sai numa sexta à noite para dançar pode parecer literal e sem qualquer pretensão, mas o contexto político mundial no qual a canção foi lançada dota sua leveza e simplicidade de uma carga de significado que poucas músicas escritas com propósitos políticos conseguem transmitir.
É impressionante pensar como, em 1976, menos de 4500 km separavam a prosperidade e as liberdades sócio-políticas suecas da tirania, do desespero e da escassez que eram regra do outro lado da Cortina de Ferro. Três anos depois, uma revolução muçulmana no Irã iria acabar com os últimos resquícios de liberdade e modernidade que o Xá tinha tentado implementar, tornando institucional a opressão cultural muçulmana sobre as mulheres. As condições materiais, culturais e sociais que inspiraram Benny Andersson e Björn Ulvaeus a escrever sobre algo tão trivial no Ocidente como a liberdade de uma garota dançar sozinha em público sem se preocupar com a próxima refeição (como acontecia a tantas garotas na URSS) ou sem temer ser açoitada em praça pública (como ainda hoje é regra no Irã) é o que confere à música uma essência que não pode ser ignorada: Dancing Queen é, no fundo, uma ode à Civilização.
Em pleno século XXI a maioria das mulheres do mundo ainda é tratada como bem material de seus pais, irmãos ou maridos. São negociadas como gado no mundo islâmico, sofrem mutilação genital em tribos subsaarianas, são sistematicamente estupradas sob conivência cultural na Índia e são intencionalmente abortadas, só por serem mulheres, em regiões atrasadas da China. Em qualquer desses contextos, uma música como Dancing Queen não poderia ser interpretada como menos que uma expressão de cinismo sádico. Por mais absurdo que possa parecer, a idéia de que uma mulher possa ter autonomia para fazer o que quer que seja sem permissão de um homem não é um valor universal e não foi do dia para noite que isso se tornou regra no Ocidente.
O mainstream cultural da Suécia multiculturalista de hoje não só ignora esses fatos como, ao abusar de uma postura ideologicamente complacente com condutas criminosas de imigrantes muçulmanos, ameaça o legado eternizado na canção do ABBA. Por mais que autoridades governamentais e setores midiáticos "progressistas" empreendam um esforço hercúleo em negar, os efeitos colaterais da invasão muçulmana já se fazem presentes no país escandinavo: a elevada taxa de fecundidade dos imigrantes, sua relutância em aceitar a cultura anfitriã, sua tendência a não se integrar, agrupando-se em guetos que na prática são pequenos califados dentro das cidades. Tudo isso, aliado às baixas taxas de natalidade dos suecos étnicos, tem contribuído para converter o país em não mais que uma extensão do mundo islâmico. Os problemas decorrentes dessa realidade não poderiam ser mais evidentes.
Desde 1975, quando as autoridades suecas passaram a adotar a política imigratória mais relaxada da Europa, as taxas de crimes violentos sofreram um aumento de 300%. O crescente número de jovens suecos que decidem se juntar ao Daesh dá a medida de como a cultura secular do país está sendo sobrepujada pelo vigor expansionista islâmico. O aumento de mais de 1400% nos casos de estupro desde meados da década de 1970 reflete um traço cultural característico de civilizações que enxergam as mulheres como inferiores aos homens: em sociedades muçulmanas é natural que se veja o estupro como uma forma de punição aplicável a mulheres que se recusam a acatar as imposições sociais da sharia. Há inclusive um termo em árabe cunhado exclusivamente para se referir a estupros coletivos: taharrush. Os recentes casos reportados na noite de ano novo nas cidades alemãs de Hamburgo e Colônia, não são, como se vê, obras do acaso.  
Nada, no entanto, é mais preocupante do que a atitude das autoridades suecas diante desse panorama. Mais preocupados com suas convicções ideológicas do que com a segurança da população e a sobrevivência da própria civilização, os líderes suecos parecem perdidos em constatar o quão distante da realidade estão suas crenças. Desde encobrir violações de imigrantes e candidatos a asilo para não legitimar adversários políticos a argumentar que o aumento do número de estupros se deve mais à rigidez da legislação do que ao aumento irrefreado do número de imigrantes árabes e norte africanos, fugir da realidade parece ser a forma que os "progressistas" europeus encontraram de tratar esses problemas. Tal esforço coletivo de ilusionismo ideológico encontra eco no pensamento delinquente de gente como Margot Wallstrom, atual ministra de relações exteriores da Suécia. Ao associar (ou pelo menos tentar) o aumento do número de jovens suecos que aderem ao Daesh à postura de Israel na guerra que trava contra o Hamas e outras organizações terroristas na Palestina, Wallstrom, cega por seu ressentimento ideológico, demonstra não passar de uma militante enraivecida, muito aquém da altura do cargo que ocupa.
O establishment "progressista" sueco vive se gabando da neutralidade do país nas duas guerras mundiais do século XX.  Além de ostentar a recusa covarde em enfrentar o nacional socialismo (inclusive colaborando com a barbárie sempre que possível), parecem também padecer do complexo de culpa ideológica pelo imperialismo do século XIX que acomete seus pares da Europa Ocidental: mesmo sem ter tomado parte no processo de partilha da África e da Ásia que precedeu a guerra de 1914-18, escancaram suas portas indiscriminadamente e tratam com conivência os modos bárbaros de imigrantes por enxergarem na prosperidade que desfrutam a causa do caos que os obrigou a emigrar.
No admirável mundo novo que a esquerda européia vislumbra, a Dancing Queen “can`t dance, can`t jive having the time of your life”. Está presa num hijab e tem medo de sair de casa desacompanhada para dançar na sexta à noite.